O jornalismo vive de perguntas — e, às vezes, de silêncios que gritam. Quando o SBT formalizou um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para entrevistar o ex-presidente Jair Bolsonaro, o gesto rapidamente ganhou as manchetes e acendeu discussões em todo o país. A emissora, que recentemente enfrentou críticas por sua aproximação com o atual governo, agora busca equilibrar sua imagem com uma proposta que promete ser polêmica, reveladora e, acima de tudo, simbólica.
O pedido foi feito diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos que envolvem Bolsonaro no STF. A entrevista, segundo o SBT, teria como foco temas de interesse público, como os processos judiciais em andamento, a visão do ex-presidente sobre o atual cenário político e suas perspectivas para o futuro.
A solicitação ocorre poucos dias após a participação do presidente Lula no relançamento da nova identidade visual do SBT, o que gerou desconforto entre parte do público conservador e apoiadores de Bolsonaro. Para muitos, o gesto da emissora pode ser interpretado como uma tentativa de reequilibrar sua imagem editorial e reafirmar seu compromisso com a pluralidade de vozes.
“A coragem de ouvir todos os lados é o primeiro passo para construir pontes em tempos de muros.”
Se autorizada, a entrevista poderá marcar um momento importante para o jornalismo brasileiro. Não apenas por dar voz a um ex-presidente envolvido em investigações sensíveis, mas por reafirmar o papel da imprensa como espaço de escuta, questionamento e transparência.
Além disso, a iniciativa do SBT pode ser vista como um gesto de maturidade institucional. Em tempos de polarização, abrir espaço para diferentes narrativas é mais do que uma escolha editorial — é um serviço à democracia.

Conclusão
A solicitação do SBT para entrevistar Jair Bolsonaro é um movimento que transcende o jornalismo. É um convite ao debate, à escuta e à reflexão. Em um país onde a política muitas vezes divide, a imprensa tem o poder de reunir — não para concordar, mas para compreender.
Que essa entrevista, se realizada, seja conduzida com responsabilidade, profundidade e respeito ao público. Porque, no fim das contas, o verdadeiro papel da mídia é iluminar os fatos, mesmo quando eles incomodam. Afinal, é no diálogo — e não no silêncio — que a democracia encontra sua voz.

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